2. O lado feio da beleza narcísica

 Não sei por onde começar essa história. 

Se bem que já foi iniciada muito antes desse momento. 


Momentos de liberdade total dentro do aspecto de liberdade que eu conheço. 

E algo me diz que ainda pode ser pouco

Mas pouco comparado a que? Que espaço é esse dentro de mim que me dá base imaginatória pra pensar que posso mais? Que devo mais. 

   E aí me pergunto, seria esse pedido um caminho infinito e falho pra me tirar do tédio de mim, ou seria um potencial real sedento por ser explorado? 

Acho que poderia ser os dois. 

E me questiono disso há tempos, parada no mesmo espaço da dúvida, sem tentar movimentar diretamente esse espaço pedinte. 

Penso que o medo de perceber que é fuga de mim é grande. E maior ainda em talvez notar que o poder imaginário não é tão grande assim, talvez mínimo, pobre, desnutrido.

Tá aí, desnutrido... Lindo como a ideia de nutrição depois da desesperança de conteúdo crie novamente a chama narcísica da necessidade de aparecer para ser. 

Penso, sinto e crio assim, mas agora vou tentar escrever contra.


Desapareço então, me descrio nesse momento.

Como é? 

Não deu, não sei não ser. Terei que me saciar faltando em mim, e aí talvez, ser de 

fato algo real


Isadora Vieira

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